Santana do Ipanema: cidade com 70% das famílias no Bolsa Família paga o maior salário de prefeito de Alagoas
[VT Notícias]fevereiro 04, 2026
VT Notícias: Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, vive um contraste que chama atenção e provoca indignação. Enquanto cerca de 70% das famílias do município dependem do Bolsa Família e aproximadamente 90% dos jovens estão fora do mercado de trabalho, o prefeito Eduardo Bulhões recebe o maior salário entre todos os prefeitos de Alagoas — e até superior ao de gestores de grandes capitais brasileiras.De acordo com dados divulgados, o salário do chefe do Executivo municipal chega a R$ 29.339,84 mensais, valor maior do que o pago aos prefeitos de cidades como Maceió, Rio de Janeiro e Recife. A situação levanta questionamentos sobre prioridades na gestão pública de um município marcado por baixos indicadores sociais.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) segue em patamar considerado baixo, enquanto o IDEB, principal indicador da educação básica, reflete dificuldades estruturais que comprometem o futuro das crianças e jovens santanenses. Ainda assim, no topo da administração municipal, a realidade parece distante dos problemas enfrentados pela população.
Na área da saúde, denúncias recorrentes apontam para um hospital municipal com equipamentos sucateados, falta de insumos e dificuldades no atendimento à população. Em contraste, os cofres públicos garantem vencimentos elevados ao gestor, reforçando críticas sobre uma possível inversão de prioridades.
Para moradores e lideranças locais, o problema não se resume à escassez de recursos, mas sim à forma como o dinheiro público é aplicado. Santana do Ipanema é governada há cerca de 20 anos por grupos políticos ligados à mesma linhagem, o que amplia o debate sobre privilégios, continuidade de poder e ausência de renovação administrativa.
O caso reacende uma discussão central: é aceitável que uma cidade com tamanha vulnerabilidade social pague um salário de “capital” ao seu prefeito? Para muitos, o valor representa não apenas um número elevado, mas um símbolo de distanciamento entre governo e povo.
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