Malas de dinheiro, campanhas e poder: como o chavismo importou o marketing político do Brasil
[VT Notícias]janeiro 05, 2026
VT Notícias: A conexão entre o marketing político brasileiro e o chavismo voltou a ser discutida após o ressurgimento de investigações internacionais sobre a atuação do governo venezuelano. Delatores da Lava Jato relataram que os publicitários João Santana e Mônica Moura, responsáveis por campanhas eleitorais vitoriosas no Brasil, teriam recebido mais de US$ 10 milhões fora da contabilidade oficial para atuar na reeleição de Hugo Chávez.Segundo os depoimentos, os repasses ocorreram em 2012, quando Nicolás Maduro, então chanceler, fazia a entrega pessoal de valores no Palácio de Miraflores. O dinheiro, fracionado para escapar de controles bancários, financiava a estratégia de comunicação que buscava manter o projeto chavista no poder.
As delações apontam ainda que a ponte entre os marqueteiros e Caracas foi aberta por Lula, com apoio logístico do ex-ministro José Dirceu. A relação de proximidade garantia acesso direto ao núcleo do governo venezuelano e permitiu a exportação de métodos que haviam consolidado vitórias eleitorais do PT no Brasil, como nas campanhas de Dilma Rousseff.
O tema ganha novo peso geopolítico em 2026, em meio a apurações conduzidas pelas autoridades dos Estados Unidos sobre corrupção transnacional e financiamento ilícito de campanhas na América Latina. Para investigadores, esses mecanismos ajudaram a sustentar regimes autoritários por anos. O envolvimento de personagens centrais da política brasileira segue como um dos pontos mais delicados na relação diplomática entre Brasília e Washington.
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